
Passam dias sem que me lembre o que quero esquecer, o tempo desempenha o seu papel de conselheiro, de ombro amigo e ajuda a apagar memórias de algo ou alguém que tento tornar menos presente entre os meus pensamentos.
E quando me esqueço de esquecer, não lembro...
A mente humana é traiçoeira e quando menos se espera desencadeia pensamentos que nos fazem regredir, dar passos contrários á direcção que queremos seguir e vemos a meta, que desejamos atingir, esbater-se por entre os contornos do horizonte.
Quero esquecer... Quero mais que não lembrar, quero mesmo esquecer... Deixar de sentir falta, deixar de sentir necessidade de recordar, deixar de interpretar simples atitudes sob um olhar toldado, deixar -me de expectativas.
Acredito que cada pessoa que cruza o meu caminho, ainda que sem que seja intencionalmente, deixa uma marca sua. Por mais breves que sejam as passagens, por muitos que sejam os que passam, é impossível ser indiferente ao cruzar de duas esferas, de dois mundos, de duas realidades diferentes.
Ainda que me tente iludir ao fingir acreditar que a minha maneira de ser se mantém inalterada e só obedece aos meus desígnios, a verdade é que o que sou se altera na relação com os outros; aprendo e modifico não comigo mesma, mas sim na relação que tenho com os outros.
Quero com isto tudo deixar transparecer que ainda que fora da minha vida, ainda que longe, não deixo de lembrar quem me marcou e que os meus esforços acabam por não ter significado pois no fundo sei que é impossível apagar a sua presença.
Sei que esquecer os rostos, as palavras, os momentos, as conversas é impossível; no entanto quero não ter necessidade de invocar tais memórias e ao invocá-las, não ser numa esperança vã de as reviver ou por sentir falta...
Mentia se disse-se que não sonho com um mundo á minha medida; quando não sei como lidar com algo, o meu primeiro instinto não é ficar e aprender; é fugir... Na tentativa de fuga torno ambíguos muitos gestos, muitas palavras e procuro significados que sei, no fundo, não existirem, apenas para contornar verdades que não quero aceitar...
Quero aprender a aceitar, a não pintar a realidade como mais me convém... Mas também não quero contentar-me, acreditar que não há algo mais e ficar-me só pelo que os meus olhos vêem... Quero crescer e saber distinguir quando devo continuar a sonhar ou quando devo recolher as minhas asas e cingir-me ao chão.
Quero saber se voo, se caminho...
Decidir firmemente, sem medos, sem receios se abro as asas e me permito sonhar, se caminho em frente e vou onde os meus pés me levam, mas na certeza que não sentirei a tentação de voltar atrás...
Lembrando o quero esquecer hoje, ver onde me levam os meus pés seria o mais sensato, mas ainda não consigo esconder as minhas asas e impedi-las de voar...
No comments:
Post a Comment