July 2, 2008

Mudo desabafo...

Imagem - Broken_Pieces_by_fluffyvolkswagen

Há um ditado chinês particularmente bonito que diz "Jamais desesperes, pois das nuvens mais negras cai água límpida"... (acho que não é bem assim, mas a memória torna-se traiçoeira quando o sono aperta).
Desacretido a perfeição (acho mesmo que a abomino) mas ás vezes dou comigo a rezar secretamente por dias perfeitos, em que nada escape ao planeado e tudo siga uma ordem natural que me seja indiscutivelmente favorável.
Dei por mim a contornar a lógica dos factos e simplesmente escolher ignorar a verdade apenas por não saber como lidar com ela... Procurei todas as formas possíveis e imaginárias de me abstrair da realidade e simplesmente esquecer o mundo á minha volta...
Fiz asneiras incontáveis e que sempre repreendi a outros, refugiei-me em casa, corri para os ombros dos amigos e consegui ensinar-me a negar os factos e negar tudo o que para eles aponta...
As palavras de coragem das pessoas que me apoiaram criaram como que uma ilusão de que tudo não passa de um mau momento que se calhar resulta apenas de opiniões desconhecidas de rostos que nem sequer se identificam... Sinto quase que preciso ver para querer, parece que perdi a fé e confio apenas no que se coloca imediatamente á minha frente.
Pergunto-me quantas mais vezes, inconscientemente, neguei a realidade á minha volta só por não saber como a aceitar.
Sempre fui boa a ignorar o mundo á minha volta, mas no fundo sabia que estava lá, negar, é partir do principio que não existe, não passa por fechar apenas os olhos ou vira-los noutra direcção passar por de olhos abertos, não ver o que pode estar mesmo á minha frente ou pior ver e acreditar que não está lá...
Depois vem os momentos em que penso que se realmente o que nego for verdade não haver barreira alguma entre mim e o abismo porque perdi tanto tempo em negação da verdade que não aproveitei para fazer contar os últimos momentos...
Quando se abate em mim este desanimo penso que mesmo não se passando nada devo aproveitar cada segundo e fazer com que seja mágico e se torne numa memória especial daquelas dignas de guardar nas arcas do sótão, mas a minha mente assume automaticamente que não passa de um erro mudar apenas por pressão de uma ameaça que nem sequer se tornará real...
Quase que ando a apanhar pedaços de momentos e pedaços da realidade que me convém... E é triste, porque tal como profetizam aos sábios da família nunca vou ser pessoa suficiente para compreender que a vida não é cor-de-rosa.

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