December 1, 2007

Meras vendas para os olhos...



Há várias formas de se dizer isto, várias palavras a usar, meias verdades, meias mentiras...
Exilados por entre os meus lamúrios e magóas está algo qua anda por ser dito á muito tempo...
Espalhado por textos, por dias; estão pedidos de desculpas e justificações de atitudes, verdades que nunca conseguiria dizer cara cara...
Chama-se cobardia, chama-se medo, receio... Chama-se, chamam-lhe, chamem-lhe...
A pura e poética justiça obriga-me a assumir, a muito custo, que sou cobarde, que não tenho as forças necessárias para contar a verdade e enfrentar o que daí advém...
Há momentos em que as palavras parecem fluir por si só, parecem voar por entre os meus lábios, mas a cadeia de pensamento que as conduz é quebrada por uma sensação de desespero, de medo de perda...
Não ascendo á perfeição, não finjo ser o que não sou, não pretendo ser conhecida e fazer o meu nome perdurar para além do meu tempo, não quero ser mais um produto dos comentários alheios nem um prolongamento daqueles que me precedem... Olho para mim e aprendi a viver com o que vejo no espelho, posso não ser perfeita mas aceito-me assim, no entanto, sou por natureza insegura e tolero mal mudanças...
A maldita inercia, a rotina que prende faz-me temer mudanças, faz-me tomar posições radicais quando me obrigam a encarar uma nova e repentina realidade...
Por todas estas razões custa-me admitir que as pessoas na minha vida não me deixaram entrar e criar raizes tal como deixei que elas fizessem, custa-me perceber que abri mão de momentos com alguém que me era como uma segunda consciência, como que um marco do meu caminho, mais que um amigo, sem razão aparente pois a as minhas prioridades estavam focadas num vazio que por algum tempo eu pensei preencher...
Perdi, deixei escapar por entre os dedos, não soube usufruir dos momentos e não soube ainda aprender a lidar com esta frustação de errar nas minhas escolhas, de esbarrar contra uma parede...
Talvez por me ter distanciado, por me ter tentado elevar acima das ondas, estar acima do nível do mar pareça que me acho melhor, mais perfeita, talvez faça julgar que tenho menos arestas a serem limadas, demasiada segurança...
Coloquei-me acima das ondas por não ser forte o suficiente para remar contra a maré, por não ser fraca ao ponto de me deixar levar por ela...
Desculpe-me quem sabe que a si me refiro, mas custa-me lidar com o presente, tendo o passado nas memórias, é como se tivesse tido tudo e agora tivesse apenas a mais infima das partes...
Aceite quem tem de aceitar que a minha insegurança é parte de mim, que confio cegamente até abrir os olhos, que muitas vezes preferiria continuar com os olhos vendados...Perceba, isto só para uma pessoa, a minha segunda consciência, sei que não te perguntas nem sentes sequer falta das nossas conversas, dos nossos risos... O findar das minhas palavras para contigo foi inevitável porque depois de ter o pleno de nós não consigo viver com uma pequena porção do que já foi a nossa amizade...
Meras vendas para os olhos, é o proposito que dou a estas palavras... Muitas ambiguas e com significados velados e ocultos...
Pequenas desculpas e pequenas justificações que apenas servem para apaziguar as pequenas borboletinhas que esvoaçam por entre os meus pensamentos e me fazem querer voltar a cair novamente nas mesmas teias, deixar-me envolver por novas amarras sem primeiro saber se o novo, velho porto é seguro...
Pó de fada espalha-se facilmente mas a magia não se mantém viva para sempre... Algum dia os encamentos sessam e, do nada, a realidade não vence o confronto com os espelhos...
Agora que brisas desconhecidas me me acalmam posso finalmente dizer que não me orgulho de muitas das minhas decisões, que me arrenpendo seriamente dos atalhos que segui, que olho de maneira diferente e sim, mudei...
Sou diferente, o tempo não volta atrás, as magoas são levadas pelo vento...
A chuva não apaga as memórias, o vento não as afasta, a terra não as enterra em si e o fogo não as queima, como se vê pouco está ao meu alcance, pouco posso fazer para voltar a ser o que fui... E se o agora não me agrada, a falsidade do antes também não...
Talvez possa dizer que sou a mesma música mas com uma melodia diferente... A letra é a mesma, mas o que se ouve é diferente :P

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