October 19, 2007

Talvez

Imagem - ___Still_standing____by_Liek[2]

Talvez... Nem sim, nem não... Talvez...
È uma das palavras mais ambíguas que conheço...
Li algures que pior que a certeza do não é a dúvida do talvez, como qualquer incerteza, consome a paz e a calma dos espíritos, dando alento a angústias e esperanças que mais tarde ou mais cedo poderam vir a sucumbir perante as realidades multiplas que se passeiam á nossa volta...
Ouvir um não quando esperamos um sim, um sim quando esperamos um não, parece despedaçar o nosso peito em mil bocadinhos... Num ápice aquilo que somos parte-se em milhões de particulas, cada uma mais pequena que á outra... As moléculas do corpo mantêm-se agarradas, este continua a existir depois do choque... Mas aquilo de que é feita a alma parte-se... Esvai-se com o ar... De um momento, para o outro, ficamos vazios...
Ouvir um talvez, não admitir um sim ou um não, não muda o destino e se a alma tiver de se partir vai partir... Apenas prolonga o sofrimento, adia a sentença...
Ficar em frente a um espelho e dizer a nos mesmos que talvez seja hoje o dia em que tudo muda, talvez isto não me tenha acontecido, talvez volte, talvez goste, talvez saiba que existo é matar-nos aos poucos... Adiar o sim ou não não muda o destino, não evita o sofrimento, não evita a dor; torna-a menos forte, menos imediata, mas cada vez mais agonizante e insuportável.
E ainda assim por vezes, é mais fácil, ainda que saibamos no que vai dar, ouvir um talvez do que ouvir um redondo não...
Um não torna tudo tão definitivo o talvez pode atrasar uma realidade impossível de travar...
Um não ou um sim podem fazer com aquilo que é de vivo em nós pareça desaparecer, mas ainda que se parta em milhares de pedaços, minúsculos grãos, existe, mesmo quando parece que é o fim, os pedacinhos juntam-se para voltar a formar o que somos e tornamo-nos cada vez mais fortes.
Acho mais fácil suportar a ideia de partir de uma só vez, do que ir perdendo aos poucos partes da minha essência mas, apesar disso, todos os dias sinto que perco parte de mim por não ter coragem de ouvir uma daquelas palavrinhas insignificante de três letras...
È quase idílico que duas palavras tão pequenas consigam causar tantos estragos e ao mesmo tempo tantas alegrias...
3 letrinhas... 3 letrinhas que conseguem dar as maiores das alegrias e as maiores tristezas, e uma única palavra que pode adiar as tristezas e as alegrias... Uma palavra que se alimenta da inquitude da alma... Uma palavrinha que aos poucos nos consome...
Só sei que não quero acordar um dia e perceber que já tenho menos metade de mim, que deitei oportunidades ao ar pelo talvez, saber que tive esperança em casos perdidos mas, ao mesmo tempo não consigo deixar de acreditar, ainda que muito lá no fundo, que amanhã talvez seja o dia em que tudo muda...
Quem sabe, talvez...

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