January 15, 2007

Coragem e Medo

imagem - Ladies of london by enayla

Decidi escrever mais um post acerca de algo que me intriga muito : medo e coragem, qual deles é o sentimento nobre?
Medo, todos nós sabemos o que é ter medo, sentir arrepios gelados a dançar a nossa volta, vozes vindas do nada a arrepiar a nossa mente. E todos, ou quase todos, temos medo de assumir que temos medo.
Coragem... Todos dizem ter dentro de si uma fera prestes a domar qualquer clausura, qualquer ameaça... Todos dizemos ter, mas poucos a têm como uma verdadeira coragem e não como forma de enfeitar os seus medos.
Quando nos sentimos intimidados perante algo novo, temos medo, sentimos receio pela mudança que se avizinha, pelo desconhecido e assumimos uma pose arrogante de quem nada teme, apenas para esconder o que verdadeiramente sentimos...
Cerramos os labios na esperança que nenhuma palavra denuncie o que se passa dentro da nossa alma; comandamos o nosso corpo de forma a não mostrar os arrepios, os sussurros gelados que o percorrem.
E, perante os outros, somos corajosos, não demonstramos qualquer fraqueza, damos a ideia que nada nos toca, nada nos afecta quando, na verdade, por dentro estamos despedaçados e aterrorizados.
Muitas vezes dizemos ter tido a coragem de mudar toda a nossa maneira se ser por alguem, quando na verdade continuamos os mesmos, mas escondemos as nossas falhas numa tentativa de superar o medo de perder essa pessoa.
Dizemos ter coragem de dizer tudo o que sentimos e nunca assumimos o que verdadeiramente nos atormenta, por medo de demonstrar fraqueza aos outros numa sociedade em que o mais forte domina sempre o mais fraco.
Temos coragem para aguentar tudo o que nos acontece sem chorar, quando na verdade o que temos é medo do que vem a seguir e não queremos deixar-nos levar pelo desespero, pela angústia, pela incerteza...
Por tudo isto começo a achar que muitas vezes a coragem é uma forma patética de esconder os nossos medos e fraquezas dos outros e que o medo é o sentimento que nos torna humanos, pois é quando temos medo que nos apercebemos da nossa natureza fragíl e limitada e do nossa dimensão vulnerável.
È quando algo nos ameaça que percebemos que não somos eternos, que não comandamos nada na nossa vida, que o amanhã não é um dado certo, que somos imperfeitos e incompletos e que os nossos erros têm consequências que não nos afectam só as nos, mas tambem aqueles que connosco atravessam a vida.
A verdadeira coragem existe, mas poucos são os capazes de a usar não como uma escapatória do medo mas como um modo de vida como força, não de mascarar o medo mas de o vencer, porque coragem não é esconder o medo, mas sim assumir que o temos perante os outros e lutar contra ele.

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