Nunca sei como começar a escrever seja o que for… Começar, seja o que for è e vai ser sempre, uma tarefa penosa para esta cabecinha de ervilha… Já há muito que não actualizo os meus cantinhos… Não è que não haja nada para dizer, há, pelo contrário, demasiada informação compactada nesta cabeça e torna-se difícil organiza-la seja de que forma for… Estranhamente hoje senti uma necessidade inquietante de voltar aos meus “abrigos”. Sentei-me na estação à espera… Como tantas vezes já fiz… E hoje, estranhamente, senti novamente aquela vontade inesperada de me perder sem destino… Há tanto, tanto tempo que não sentia os meus pés a quererem levar-me para longe… Hoje faltou pouco… Tenho de admitir que ter um cartão multibanco com uns tostões alimentou ainda mais a fome de liberdade que tenho sentido… Faltou pouco, pouquinho, para não desaparecer durante umas horas ou uns dias, quem sabe uns meses, como tanto ansiei um dia. Irrita-me profundamente nunca ter tido a coragem de me perder como tantas vezes planeei, mas irrita-me mais agora, ter forma de o fazer e ficar de mãos e pés atados a ver os comboios deixarem a estação, enquanto eu me mantenho parada à espera… Irrita-me sentir-me presa…Acho que sempre me irritou… Mas agora irrita-me ainda mais… Porque sei melhor que nunca que este è o momento certo para me soltar e contudo, não vou ser capaz… Não vou ser capaz de dizer que não, não vou ser capaz de ficar sozinha, não vou ser capaz de deixar sozinho/sozinhos, não vou ser capaz de abrir mão do conforto ocioso que a minha rotina me oferece… Não vou ser capaz de arriscar… Vou continuar no meio de círculos viciosos que nunca acabam, a viver versões das mesmas histórias com contornos diferentes, a ser alimento das inúmeras personagens que compõem o cenário no qual, mais do que contracenar, faço parte da mobília… Ou mobília ou espectadora, pois cada vez mais pareço um adereço que adorna a vida de outros… Quer seja para ser o bode expiatório quer seja para ser o tema de conversa, cada vez mais falam sobre coisas que não sabem e desenham alguém que já fui eu mas não sou… Já tive força mental para fingir não me aperceber de nada, não pensar, não ter opinião, para fingir gostar ou importar-me… Hoje não gosto não gosto, não concordo ninguém me torce o barco, porque tenham paciência eu aprendi com os melhores a levantar o meu narizinho bem alto…Não apetece ter conversas sem sustento e hipocrisias já não me dão alento… Findou-se a boa vontade e talvez quem sabe (em casos) a falsa cortesia… Desespera-me ser eu quem me prende aqui e quem dita o fim de um desejo que nunca se chegou a iniciar… Não vou ser capaz de fazer tudo aquilo com que sonhei e tudo aquilo em que me propus a sonhar porque ajudei a que me atassem ao chão… Ajudei a que prendessem e apesar de saber que as amarras podem ser cortadas a qualquer minuto não sou capaz de as cortar… Quero muito, muito, ir… Seja para onde for… Porque, no fundo, já não me conheço aqui… Há dias em que não conheço o reflexo que vejo no espelho… Queria tanto fazer as malas e pô-las a porta… Tanto, tanto…
(Hoje estou mesmo de mau humor...Mas as palavras lá vão fluindo melhor... =)
No comments:
Post a Comment