July 22, 2009

Faces pintadas... Mascaras quebradas...

Imagem - Mirror_Mirror_by_moonmomma
Vou repetir-me um pouco...
Há sempre um turbilhão de ideias a voar na minha mente, não posso dizer que exista um único momento em que pare e deixe de pensar...
Faltam-me demasiadas respostas, justificações e explicações... Há perguntas que não formulei, ás quais me deram respostas que não me satisfazem e eu... Quero sempre mais...
A minha curiosidade aguça-se e não me me deixa descansar...
Digo isto por me conhecer e aceitar a mim mesma... Por saber que há em mim aspectos que não controlo e impulsos que não domino...
Gosto de dizer que abomino a perfeição e que não a procuro... No entanto sem me dar conta, idealizo o mundo á minha volta de forma a torna-lo tal e qual á minha imagem... De forma a que se encaixa certinho com o meu umbigo...
Pinto o mundo das cores que mais me agradam e acredito que vejo tudo o que me rodeia tal e qual como é...
No entanto quando a tinta começa a cair e a verdadeira essência de cada ser reaparece apercebo-me que na verdade não vejo a realidade tal e qual como é, mas sim como eu acho que deveria ser...
Aos poucos os contornos vão mudando, mascaras e muralhas caem por terra...
Aceito bem a imperfeição e os defeitos de cada ser, de cada coisa; o que me custa é...
Ver que não fui capaz de me aperceber da verdadeira essência, do verdadeiro conteúdo de quem e do que está a minha frente e pintei tudo de uma forma tão idealizada e pessoal que acabei por criar na minha mente algo, alguém, que na verdade não existe...

Difícil de perceber o que quero dizer?
Simples de explicar...
Muitas são as vezes em que nos apercebemos que as pessoas á nossa volta não são bem quem nos julgávamos ser...
Erguem mascaras perante os verdadeiros rostos e quando elas caem temos á nossa frente alguém completamente desconhecido...
Perante isto brota do fundo de cada um de nós uma mistura amarga de sentimentos: desilusão, angustia, duvida, medo, repulsa, insegurança...
A minha duvida é se as mascaras que muitas vezes acabam desfeitas no chão não são criadas por nós e pela nossa visão utópica do mundo...
Falo por mim...
Se tenho sempre a tendência a idealizar as pessoas e ver apenas o lado bom, não será minha a culpa de depois de me vir a surpreender ao reconhecer que a realidade de alguém se afasta da minha?
As pessoas raramente conseguem esconder aquilo que são, há sempre indícios que se vão espelhando de tempo a tempo...
Um olhar sorrateiro, um esgar que se esconde por detrás de um sorriso, uma palavra ambivalente, uma expressão dissimulada, um comentário pelas costas sussurrado ao ouvido...
Se eu escolhi não ver, se eu escolhi fechar os olhos aos pequenos sinais; apenas me posso culpar a mim pelas constantes desilusões que sinto.
Por outro lado penso, quantas mascaras já não caíram do meu rosto e quantas pessoas já não ficaram de olhos postos no chão ao ver os pedaços do meu retrato esvair-se em pó?

Eu esforço-me tanto por conhecer as pessoas á minha volta e por me rodear das pessoas certas que acredito sempre que fiz uma boa escolha... Confio e acredito quase cegamente...
Depois quando acordo (porque acabamos sempre por acordar) o meu primeiro impulso é dizer que me sinto desiludida e triste com alguém...
A verdade é que sinto desiludida comigo mesma por ter fechado os olhos... Por ter entregue parte de mim a uma pessoa errada e por ser tarde demais para não ser obrigada a tentar atravessar o abismo que se criou...
È sempre mais facil culpar ou outros do que olhar ao espelho e culpar o nosso reflexo...
A verdade que eu encontro é que pintamos personalidades e pessoas como se fossem folhas de papel em branco e depois quando mascaras caem pelo chão e revelam uma face desconhecida ao fim de meses, anos, décadas; não lembramos que fomos nós quem esculpimos ou ajudamos a esculpir essas máscaras...
E eu pergunto: Quando foi que o mundo deixou de ser simples?

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