Imagem - Protect_Life_by_LavahDei comigo perdida no meio da cidade á procura do autocarro com o nome mais bizarro, que me leva-se para mais longe...
Ocorreu-me a feliz ideia de apanhar um autocarro e depois outro e outro e ir parar a um sitio totalmente desconhecido...
Entretanto lembrei-me que infelizmente os autocarros municipais não me podem levar longe e que para ir para longe a única hipótese era ir de expresso...
Ideias estúpidas não?
Também achei...
Mais ridículo ainda, quando tudo começou porque olhei para o braço e vi uma nódoa negra...
Dentro da minha mente corrigi-me a mim própria e pensei "Não é uma negra, é um hematoma".
Dói não consegui quebrar o turbilhão de pensamentos "Um arranhão, não é um arranhão, é uma escoriação; o termo correcto para dizer dedo grande do pé, é hallux; uma bolha no pé,não se chama fole, mas flictena" Parece ridículo pensar assim... Talvez o seja...
Mas acho que foi a forma que o meu cérebro achou para me relembrar o que nestes anos mudou...
Costumo dizer que fui para a cama ontem com cinco anos e acordei hoje com vinte um, mas a verdade é que gradualmente tudo se foi tornando mais complicado... O mundo que antes era preto e branco, foi ganhando novas cores...
Antes passava os dias á espera que chegasse a manhã, porque mesmo detestando os trabalhos de casa, adorava aquela hora de recreio diária passada a brincar...Agora os dias são passados á espera que chegue a tarde, para que possa chegar a casa, descalçar os sapatos e sentir-me protegida no "meu ninho".
Na quarta classe adorava roubar os batons da minha mãe e leva-los para a escola, para fingir que já era uma menina adulta; agora segundo a constituição portuguesa já sou adulta e ás vezes só me lembro como era bom ser criança...
Lembro-me de brincar as barbies, com um sorriso estampado na cara... De inventar histórias de monstros e extraterrestres e passar o dia escondida na minha tenda improvisada com o cobertores da casa da minha avó... Lembro-me das tardes á espera das pipocas do lanche e das idas ás cavalitas á missa...
Era feliz com o meu olhar de criança, era feliz apenas com o que via do mundo...
Às vezes sinto falta desse olhar, dessa forma de acreditar sem duvidar, de não esperar nada a mais a não ser o que já tinha...
Sinto falta de não ter ambições, de me contentar e dar graças a tudo e de não ver o lado mau das coisas...
Sim porque tudo tem um lado bom e um lado mau... Todos temos duas faces e ninguém me venha com "tretas" acerca de perfeição e de pessoas que se assemelham a anjos e santos, porque todos nós temos as nossas falhas, os nossos defeitos e é isso que nos torna especiais, que nos torna humanos...
Mesmo assim, sinto falta do tempo em que ou era tudo ou nada, ou como se costuma dizer " ou sim ou sopas".
Era tudo mais simples... E mesmo sabendo com a idade aprendemos que o mundo que conhecemos em crianças é bem diferente quando abrimos os olhos á realidade; que faz parte de ser criança deixar a doce ingenuidade para ir adquirindo sabedoria; a verdade é que ás vezes á sabedoria nos pesa nos ombros e sentimos falta daquela falsa magia da ingenuidade.
De olhar em volta e ver apenas parte de um todo...
Eu pergunto-me quando foi o preciso momento no tempo em que deixei de criança e o mundo se tornou colorido? (o meu cérebro pode não ter feito associações muito felizes para se perguntar acerca disto, mas cabeça de ervilha é mesmo assim)
Nestes últimos três anos a minha vida deu uma volta de 180º.
Tanta coisa mudou e eu andava crente, tão "enfiada" na minha rotina que nem me dei conta que ela mudou e me mudou também.
Continuo a ter um feitio e uma maneira de ser especiais, não sou uma pessoa má, mas também não sou uma pessoa boa... Sou as duas... Às vezes estou a meio, outras vezes sou muito boazinha e outras uma peste. Às vezes sou tudo ao mesmo tempo mediante as pessoas e as opiniões. O chato é que raramente me dou ao trabalho de me ensinar a equilibrar e ser apenas muito boazinha ou muito mázinha...
Queria ser melhor para as pessoas que amo, e até as minhas cadelas mereciam mais de mim =P
Aturam cada fase minha, que não sei como ainda não perceberam que eu pareço mudar de acordo com a fase da lua =P (Não é assim tanto mas as vezes sabe bem exagerar).
Queria ser pior e pagar na mesma moeda ás pessoas que me espezinham e fazem de mim gato sapato, por que já foram algumas e é fácil aproveitar-se da forma como eu acredito nas pessoas.
Acredito sempre, mesmo que no fundo, saiba que me estou a agarrar a uma mentira, até ver com os meu olhos... E mesmo assim pela dor que me causa, ver que as pessoas de quem me rodeio não são o que julguei que fossem, demoro a ter coragem para olhar por detrás das mascaras e continuo a procurar razões para justificar certas e determinadas atitudes que não têm justificação.
Pensar que tudo isto veio de ver uma nódoa negra no braço =P
Mudei muito e sem me dar conta... Cresci e ás vezes não sei muito se bem se mal... Construi uma identidade e comecei uma história, que apesar de curta, já tem muitos capítulos...
Mas não me arrependo de nada, nada... Tudo o que vivi é meu e ninguém me tira...
E mesmo que deitei ao chão eu levanto-me, por muito difícil que seja... E os joelhos esfolados? Aprendi a cuidar deles =P
O mundo pode ter deixado de ser preto e branco, para passar a ser a cores... E até podem tentar pintar o meu mundo e torna-lo escuro, mas eu posso sempre pintar por cima ou pegar numa borracha e simples esquecer o que ou quem me apetecer...
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