December 1, 2008

Medo de cair...


Quando era miúda, era uma maria rapaz... Andava constantemente a trepar ás paredes, coberta de terra, com bichinhos na mão...
Os arranhões eram constantes e tinha orgulho deles, choramingava quando a minha mãe os limpava, mas tinha orgulho, era mais uma prova de que era uma menina, mas não tinha medo como uma menina =).
Quando somos pequenos temos uma visão tão doce do mundo, medo é coisa que não existe no nosso dicionário, porque é que temos de perder esse dom com o passar dos anos?
Eu sei que a vida não nos permite agir sempre sem pensar, e que faz parte de crescer, aprender a pesar prós e contras, bem e mal; estou ciente disso.
Apesar de aprendermos a pensar e contrabalançar as nossas atitudes pergunto-me porque deixamos de confiar nos nossos instintos e damos lugar ao medo, deixando que se instale e nos atormente o peito.
Já não tenho orgulho nas minhas cicatrizes, dos meus arranhões e nem sei bem porque...
Eu sei que os maus momentos que vivi fazem parte de mim, e que me ensinaram a crescer, me ensinaram a dar valor a tudo o que tenho, então porque me custa tanto ver as marcas que deixaram em mim?
Talvez seja porque me lembram dos erros que cometi, talvez seja porque me lembram de momentos difíceis, pelos quais não quero voltar a passar...
Aquilo porque passei, pode não ser nada, e aceito que perante certas pessoas, não o seja. Sou abençoada a cada dia, porque os problemas que tive, os maus momentos que vivi, não passaram de tempestades passageiras, umas mais fortes, outras mais longas, mas que sempre passaram.
Mesmo não tendo orgulho das feridas que me deixa cada queda há uma coisa que não me esqueço, lá por cair, não quer dizer que não me levante.
E não sou feita de vidro, posso muito bem esfolar os joelhos.
Não vou antecipar-me ao tempo, e usar as minhas mágoas como desculpa para não viver; só porque há uma possibilidade de me magoar no futuro, uma incerteza, não vou deixar de viver o agora, só por que tenho medo de me magoar.
O medo já nada apaga, uma vez que deixamos que nos dê a mão, não nos larga mais; mas não deixo que comande a minha vida.
Só se vive uma vez, e mais que medo de me magoar, tenho medo de um dia olhar para trás e ver que não vivi...




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