November 15, 2008

Tempo...


Imagem - the_fairy_of_flowers_by_cathydelanssay

São tantas as horas perdidas a planear o dia de amanhã, tantos os pensamentos dedicados ás premonições do futuro; que acabamos por nos esquecer que ainda não conseguimos vergar o tempo ao sabor d0s nossos desejos.
Podemos ter aprendido a lidar com ele, sabendo esperar, ser pacientes, ocupando os momentos livres; mas nunca seremos capazes de fazer do tempo um escravo.
Pergunto até que ponto seria bom reviver vezes e vezes sem conta os bons momentos e apagar os maus? Não é para isso que queremos controlar os ponteiros do relógio?
(Nunca houve ninguém que não pensa-se em voltar atrás no tempo)
Reviver os momentos bons,vezes e vezes sem conta, ia tirar-lhes a magia de serem únicos; seriam algo banal e vulgar, que qualquer um podia repetir quantas vezes deseja-se até se cansar e que depois não passaria de mais das memórias dormentes que cada um guarda para si.
Em vez de uma doce lembrança, cada um desses momentos, vivido repetidamente, teria o mesmo peso para nós que a memória do par de sapatos que calçamos pela manhã, ou de quanto tempo demoramos a apanhar o autocarro, seria algo desinteressante e fútil...
Os momentos maus, ainda que doam, cravem pegadas na pele, deixem as suas cicatrizes no peito, fazem-nos crescer e ganhar carácter e ensinam-nos a dar valor ao que temos. Se a vida fosse um mar de rosas, vivíamos numa eterna utopia e mais tarde ou mais cedo até desse mundo de sonho nos íamos cansar; deixávamos de viver para passar a arrastar-nos pela vida, sem qualquer animo ou sentimento, por já ter experimentado milhares de vezes sem conta a alegria extrema de nos sentirmos verdadeiramente felizes.
Tal como ver um criança dar os primeiros passos, è um momento mágico, mas á medida que o tempo passa ver a criança andar deixa de ser algo bonito, para passar a ser normal.
A longo prazo (cá estou eu a brincar com o tempo) os resultados de dominarmos o tempo, como dominamos as maquinas, o ambiente, seriam catastróficos.
Tudo o que é demais cansa, e nós como seres finitos que somos, ficamos cansados depressa...
Cada um de nós vive a vida na busca de uma paz interior e alegria extremas, aquele momento de felicidade que faz tudo o resto valer a pena; mas sabemos que tal como nós, que nunca seremos perfeitos, nenhum momento pode em si atingir a perfeição.

Ainda assim corremos em busca desse ideal longínquo, e muita vezes culpamos o tempo por não nos deixar remendar os nossos erros; acho que o que nos esquecemos é que ter a chance de errar nos lembra que não somos infinitos e nos acorda para a vida, e ver os momentos felizes como perfeitos ainda que no fundo saibamos que não o são.

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