November 1, 2008

Momentos

Imagem - Delicate_thoughts___by_larafairie

Habituei-me a desacreditar a realidade que me rodeia, achar os defeitos escondidos por debaixo das pedras da calçada, a cor que falha no padrão das asas de uma borboleta...
È forma de viver segura, fácil de suportar porque assim convenço-me que talvez consiga antecipar o futuro e prever a próxima rodada do jogo, mesmo antes de o ter começado.
Mas viver alojada no seguro, não é grande forma de viver... São os imprevistos, as linhas soltas do destino que dão piada e guiam a vida, tentar precaver-me não só é impossível como é fútil, mas ainda assim...
Procuro o defeito em cada pétala de uma flor, em gota de chuva...
Quero viver, aproveitar este momento sem definição que atravesso, deixar a natureza seguir o seu curso, sem questionar se a direcção que toma é a mais certa!
Se no fim me desiludir, não será nada que não possa enfrentar; e para poder levantar-me do chão e sacudir as poeiras é sempre preciso cair primeiro.
Acho que estou tão habituada a fechar os olhos e ajudar a pintar as mascaras que os outros envergam, que agora não consigo acreditar que possa ver alguém que me deixa olha-lo olhos nos olhos...
O meu reflexo inato é desviar o olhar, porque já não sei ver para além dos rasgos de barro; já há muito que não deixava alguém chegar suficientemente perto para ver as falhas por detrás muralha onde me escondo.
Já deixei entrar no meu refúgio, quem destrui-se o meu castelo e me fizesse sentir desprotegida, agora que construi novos muros tenho medo de deixar alguém entrar e voltar a destrui-los, tornando-os em ruínas.
Mas depois ouço uma voz dentro de mim lembrar-me de algo que muitas vezes me esqueço: A vida é feita de momentos... Por que não aproveitar este momento que passa por entre os dedos e me faz sentir tão calma, tão em paz...
Já me parti em pedaços várias vezes, consegui sempre erguer-me novamente, ainda que com feridas mais ou menos profundas por cicatrizar.
Continuar a colocar cola na ferida, disfarça-la com base, não vai fazê-la fechar e desaparecer, porque a cicatriz a este ponto é um dado certo; mas será isso desculpa para me cobrir de plástico ás bolinhas e por um etiqueta a dizer frágil?
Vou viver os momentos, pelo que são, momentos... Fugazes, únicos, estáticos...


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