Canso-me de não ver os rostos á minha volta de ver apenas o barro que moldaram a sua volta...
Quando será que vão perceber que inevitavelmente as mascaras caem pelo chão e se desfazem em pedaços?
È como se estivesse predestinado, um dia a verdade solta-se e vem ao de cima...
O que mais cansa é ver que nesse momento em vez de se aprender a viver em si e consigo, se pintam novas máscaras e se criam novas falsas identidades...
Acho que todos nós construimos um muro á nossa volta, é mais fácil olhar o mundo através dele; sob uma fachada de pedra fictícia que nos separa das alheias realidades á nossa volta.
Proteger-nos é inato, instintivo, mas erguer máscaras para esconder o que somos de verdade é algo que só o Homem aperfeiçoou ao longo do tempo.
Esconder a verdadeira face por detrás de falsos pretextos e emoções forjadas é algo que nem passa sequer por um acto de defesa, é apenas interesse e maldade.
Todos algumas vez na vida somos obrigados a mentir, ou porque temos medo de deixar conhecer algum segredo, ou porque queremos tanto evitar magoar alguém que aquilo que sentimos passa para segundo plano e deixa de fazer sentido, num tentativa de poupar outra pessoa a um sofrimento.
Não digo que seja correcto, mas escondemos os nossos segredos por detrás dos muros que erguemos, protegemo-nos. Não escondemos o que somos, apenas o que temos medo de partilhar ou o queremos guardar só para nós.
Mas mentir todos os dias, fingir-se ser quem não se é, só alguns o conseguem, ter o auto domínio e o auto conhecimento suficiente para envergar uma mentira 24 horas por dia...
Por um lado admiro o controlo que estas pessoas têm, mentem tão bem que por vezes chegam a enganar-se a si mesmas; pintam tão bem a realidade que inventaram que na sua cabeça de torna de veras real... Deve ser difícil olhar-se ao espelho e distinguir o que é verdade do que foi inventado.
O que mais me custou foi quando aprendi a ver a falha entre a mascara e a verdadeira face de alguém... Quando o barro começa a ceder, de pequenas falhas, surgem rasgos que se despedaçam cada vez mais. A mascara cai...
Neste momento é dado a seguir um destes caminhos : erguer os olhos e assumir-se como quem se é, ou construir uma nova máscara...
È difícil perceber qual dos caminhos a pessoa seguiu e mesmo que mostre o seu verdadeiro rosto, foi tão boa a contar uma mentira que custa acreditar que tenha escolhido assumir a verdade.
Eu pergunto-me se as pessoas que criam estas ilusões em torno de si o fazem para se esconder dos outros ou de si mesmos? E se não será mais fácil enfrentar o que é e tentar aceitar-se a si próprio em vez de andar a fingir perante si mesma que é alguém, que sabe no fundo não existir...

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