June 7, 2008

Mapas traçados e caminhos riscados


Sempre fui uma cabeça no ar, a minha mente sempre vagueou por outros mundos paralelos a este e talvez seja essa doce imaginação intocável que me mantêm de pé e me impede de ceder, baixar os braços e desistir.
Ainda não estou pronta a contentar-me com o pouco que me é dado, ainda quero mais que a simples comodidade... Não quero aceitar só por aceitar, por achar que vale mais ter do que olhar as mãos vazias...
Como gosto de dizer 20 é um número demasiado redondo para permitir grandes planificações!!!
Não sei sequer como acaba este dia, porque hei-de fazer projecções futuras e limitar-me a aceitar de bom grado o que o presente me oferece, mesmo achando que apesar do muito que me dá quero mais ainda?
Não quero aceitar conviver com realidades que não são minhas e que apenas me são impostas para me forçar a crescer a um ritmo que não é o meu; não me quero calar apenas porque é o mais correcto ou porque não querem ouvir; não quero estar rodeada de pessoas de que não gosto apenas por cortesia, em nome de velhas memórias; não quero fingir ser o que não sou apenas para ser aceite, recuso-me a destituir-me de consciência e vontades próprias para me tornar numa marioneta nas mãos de outra pessoa, sou demasiado Eu para aceitar isso...
Sonho demasiado para me deixar levar apenas pela comodidade e para deixar que o medo do desconhecido me obrigue a assentar os pés no chão quando ainda agora comecei a levantar voo.
Não quero olhar-me no espelho e ver, aos vinte anos, uma imagem reflectida de alguém que acha que sabe tudo e que se acha no direito de achar que atingiu o máximo que havia a atingir... Abomino a ideia de perfeição, é vazia e descabida de significado; para quê definir um ideal que não existe e cuja existência significaria o fim do que é ser-se vivo.
Tenho pena de quem se olha no espelho todas as manhãs e diz a si mesmo que é perfeito... Tenho apenas inveja em pequenas fracções de segundo porque por vezes ter a mente vazia, daria jeito.
Quem nunca se contenta, quem procura sempre mais, é forçado a tomar decisões diárias que parecem pequenas mas são no fundo, desafios que cada um tem de ultrapassar na busca por algo mais, na busca continua por uma identidade pessoal que talvez nunca se estabeleça.
Dizem-me que tenho de crescer a aprender a enfrentar as situações, dizem-me que tenho de aprender a contentar-me e reconhecer que por vezes não há nada mais a fazer... Dizem que isso faz parte de crescer, aprender a ver as coisas por outras perspectivas que não as minhas...
Ainda tenho muito que crescer sem dúvida...
Ainda vivo no meu mundinho, vejo o mundo á minha volta, mas parte do meu só faz o que quero, e até vejo mais que a minha perspectiva, no entanto ainda sonho demasiado, ainda espero demasiado para que não seja a minha visão a prevalecer... Nem sempre estou certa, muitas das vezes até estou errada, mas apesar de errar e bater com a cabeça contra a paredes, alegro-me de seguir a minha consciência e não a de outros.
Traço o meus mapas mas apenas em curtas distâncias apenas, risco os caminhos que me levam para longe dos meus ideais e por enquanto não aceito apenas o que tenho,procuro sempre mais.
Recuso-me a ser um mero peão espectador que deixa a vida passar-lhe por entre os dedos e se senta de braços cruzados a ver o passar dos minutos, que se tornam em horas, horas que se tornam em dias, dia de um ano que nunca acaba, anos de uma vida que não significou mais que nada.

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