
"Kiss my eyes and lay me to sleep... "
Acho que esta pequena frase me descreve pela totalidade...
Sinto-me perdida sem os meus ideias revolucionários, sem a minha vontade de contrapor o mundo e girar ao contrário o universo; sinto-me vazia sem a tenacidade infantil que me caracteriza, oca sem aquele olhar mágico com que pinto o mundo...
Quando dizem que ás vezes pareço ter cinco anos, nem sempre se enganam... Gosto de conseguir fingir que tudo á minha volta gira no mesmo sentido, gosto de conseguir descobrir beleza encerrada numa simples pedra...
Perder esse olhar custa-me caro porque detesto deixar o meu lado soturno instalar-se pelo corpo e preencher aos poucos cada um dos meus poros impedindo-me de respirar... Longe de ser doce, também detesto ser amarga...
Sou apenas mais um pequeno grão de areia a beira mar, igual a todos os outros, mas ainda diferente... Se me deixo levar por esta desmotivação, se perco esta capacidade (ainda que infantil e irracional) de tentar ver sempre o lado bom das coisas, torno-me igual a tantos outros...
Deixo de acreditar que vale a pena lutar, cruzo os braços e sento-me á espera que a vida me ultrapasse...
Quero mais que ver a vida passar, quero que seja a vida a ver-se passar...
Não tenho medo de envelhecer, tenho medo, pânico até, de crescer, e como tantos outros perceber que a vida se limita a um conjunto de rotinas impostas por uma sociedade de indivíduos sem rosto, que traçam regras ao acaso, baseadas nas leis da física do absurdo...
Tenho medo de me tornar como dizem "adulta" e deixar que a minha vida se limite a ridicularidade de ver os dias passar sem dar valor á poeira que a sua passagem levanta...
E digo tudo isto porque, se um dia, já velhinha, ficar agarrada a um sofá ou a uma cama, quero poder relembrar com carinho e saudade o passado que vivi, sentir que foi vivido, sentir que fugi de umas metas para chegar a outras, que cumpri os preceitos irreais a que me obriga esta vida civilizada mas que o fiz sempre mediante os meus sonhos e sendo fiel aos meus princípios.
Não quero passar os dias enfiada entre quatro paredes a pensar que não aproveitei o mundo quando podia, a tentar viver a vida de outros, á espera de um fim que nunca chega...
Não quero continuar assim, tal e qual como estou hoje, porque hoje as pedras no chão, são para mim, apenas pedras; enquanto nos outros dias, são pequenos cofres de um monte de compostos, feitos de agregados de partículas que ninguém sabe por onde passaram...
Porque hoje os meus ténis velhos, são só pedaços de pano rasgado, enquanto que nos outros dias, são o espelho de um corpo transposto num par de sapatos...
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