April 27, 2008

Fugir...

Acho que faz parte da essência humana sonhar sempre com mais... Ou talvez faça só parte de mim... Não sei bem...
Talvez sonhe demasiado e me esqueça que a vida não pára, á espera que eu abra os olhos...
Mesmo para mim, é impossível definir-me, porque sou inconstante e continuo a ser uma caixinha de surpresas... Surpreendo-me todos os dias e isso assusta-me...
Não conhecer o que sou implica que não conheça o que são, faz-me por tudo em causa e cair no erro de desacreditar no instinto inato e nas experiências vividas; pensar que a minha interpretação do exterior se molda aos meus olhos, para se encaixar no mundo de sonho que concebi, tornando as minhas experiências pessoais inúteis, porque aconteça o que acontecer, vejo sempre o mundo á minha volta de uma forma diferente...
Para mim não ansiar pelo futuro é uma forma de viver um pouco mais o presente, perante os outros, é não aceitar o passar do tempo, ser irresponsável...
Não querer aceitar que tudo tem um fim, é para mim, uma forma de não sofrer antecipadamente; para os outros é renegar uma suposta certeza que se avizinha, que mais tarde ou mais cedo, bate á porta...
Tenho vontade de fugir, acho eu... Nunca terei coragem e força suficientes, para virar as costas ao que conheço, mas aos poucos fujo das realidades que não escolhi...
Fujo quando viro as costas aos problemas que sei que não consigo resolver...
Fujo quando prefiro a falsa paz das incertezas...
Fujo quando fecho os olhos ao mundo e finjo que não há nada á minha volta...
Fujo, quando me engano e digo a mim mesma que estou bem, que tudo está bem...
Fujo quando decido fingir...
Assusto-me porque vivo tão longe da terra, que por vezes me esqueço se estou a ser sincera ou estou a fingir...
Sou feliz, porque tenho tudo e nada me falta, mas ao mesmo tempo parece que não tenho nada...
Esta não foi a vida que escolhi, mas se pudesse escolher, que vida escolheria?
Não escolhi ser como sou, mas agora que posso escolher a pessoa que vou ser, não sei o caminho que devo seguir...
Não escolhi as demandas que fui obrigada a combater, mas hoje sei que sem elas não seria eu...
Escolhi continuar a sonhar, nunca parar de lutar e cair no erro de aceitar tudo á minha volta, mas percebo que pouco faço para mudar...
E se tudo mudasse será que seria capaz de aceitar... Se tudo fosse perfeito ia continuar á espera de abrir os olhos...
Cai no erro de aprender a olhar de forma diferente e não abrir mão do meu orgulho, agora fujo sempre que me dou ao luxo de considerar que não vale a pena lutar... Repudio a perfeição, no entanto as minhas atitudes, os meus valores fazem pensar que realmente acho que o que me rodeia toca esse ideal renascentista...
Sinto que o que conheço de mim é muito pouco mas, fico feliz por não haver definições exactas que me definam... Ser feita de contrariedades, torna-me de certa forma, menos vazia; mas neste mundo, nesta sociedade opressiva, nem sempre se sabe aceitar a ambiguidade como sendo um direito inerente a cada um... São exigidas demasiadas falsas certezas, certezas que eu, ainda sou incapaz de abraçar...
Quer seja na profissão que escolhi, no partido politico que apoio, na atitudes que tomo, ou até nas esperanças que mantenho e nas luta que não travo...

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