Decidi auto intular-me cabecinha de ervilha... O diminutivo não advém do facto de querer que seja uma alcunha fofinha mas sim, de ter uma estatura pequena para a idade que tenho, e ainda de acentuar isso por usar uns ténis velhos e rasgados e calças de ganga sempre a roçar o chão...
Só me sinto bem na minha pele, e a minha pele só se sente bem de ténis e calças de ganga... Comodista, não?
Sinto-me uma autêntica cabeça de ervilha porque ainda impeço parte de mim de crescer, sei que estou a meio de curso que no futuro será o emprego do resto da minha vida, sei que "agrafado" aos 20 anos que mostra o B.I, estão uma série de atitudes e comportamentos que não cumpro e sei que o mundo fora de mim não é assim tão cor-de-rosa como o pinto...
Mas apesar de saber, e por isto é que sou uma cabeça de ervilha, continuo a não estudar o que devo e deixar tudo para a véspera, continuo a resmungar contra causas perdidas e continuo a ter dificuldade em aceitar que o mundo á minha volta não é tão maleável como era á uns anos... As minhas birras ocasionais só me trazem um par de olhos inchados e um monte de lenços ranhosos espalhados pelo chão... As minhas greves já só duram meia hora porque não aguento amuar por mais que isso...
Parte de mim sabe que está a construir os alicerces para o futuro e a outra parte de mim ainda se senta na esplanada á espera que acabe a construção...
Acho que sempre foi assim... Nisto não andei nem para a frente nem para trás...
Chateia-me esperar por mim mesma para resolver a minha vida, chateia-me mesmo...
Fico danada comigo quando vejo que o meu reflexo no espelho me faz caretas... Estranho... Olho-me ao espelho e nos primeiros segundos tudo está bem, mas depois aparece uma micro falha e fico logo abatida porque não estou como queria... E o reflexo n oespelho goza comigo...
O mesmo se passa quando alguém me conta o que se passa á minha volta e eu percebo que andei outravez ausente pelo mundo dos sonhos...
Das duas uma, ou não me apercebo do que me rodeia, ou levo tudo demasiado a sério e de uma formiga faço um elefante!!!
È por isto que me acho uma autentica cabeça de ervilha... Aos vinte anos talvez ja deve-se saber separar as coisas e pensar com a cabeça em vez de pensar com o coração, isto quando me dou tempo para pensar e não actuo por impulso...
Os meus pais dizem-me desde pequena que se não mudo a minha maneira de ser, um dia caio das nuvens e aterro de traseiro no chão... E eu rezo para que haja alguma coisa que amorteça a queda, porque mudar aquilo que sempre fui demora, vou reorganizando as moléculas e substituindo alguns átomos, mas tudo muito devagarinho...
Enfim, sou uma cabeça de ervilha e até me me tornar diferente ainda vai demorar, porque se parte de mim só quer crescer, outra parte de mim só quer ficar sentada e ver a outra caminhar á conquista de algo mais...
Para complicar ainda mais a equação ainda há outra parte que só quer voltar atrás no tempo, e voltar aquela altura do passaso em que as coisas más eram passageiras, os doi-dois se curavam com um beijinho e problemas sérios eram os das barbies que tinham cabelo que não crescia e pernas que não dobravam...
Sei que ainda sou uma muida e que não sei nada da vida, mas viver confortável com esta verdade está errado, porque não devia esperar que as coisas apareçam á minha frente, ou rezar secretamente para amanhã acordar com cinco anos novamente, pelo contrário, devia querer afastar-me do passado e rumar face a um futuro...

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