March 8, 2008

Conversas repetidas

Sinto falta de arriscar... Falta de levantar os pés do chão e ver onde o vento me leva...
Com o passar dos anos, á medida que o corpo envelhece somos obrigados a medir cada passo, a calcular cada uma das nossas acções ao milímetro, e no entanto continuamos convencidos que quando mais velhos, mais sábios, quando mais sábios, mais livres.
Se somos obrigados a racionalizar tudo, muitas vezes até as nossas emoções como podemos pensar que somos livres?
Deixo de ser livre no exacto momento em que perco a capacidade de não tornar tudo numa acção lógica e justificável, deixo a minha liberdade quando começo a pesar prós e contras de cada situação.
Somos elementos de uma sociedade, que quer queiramos ou não, molda os n0ssos comportamentos, por isso á partida já temos uma liberdade escassa; se já não posso fazer o que quero por vir a ser mal aceite e tenho de agir segundo as normas que o meu meio me impõem, se calcular sempre cada um dos meus passos, deixo de ser humana para passar a ser uma espécie de máquina...
Dizem-me muitas vezes que os sonhos não próprios de alguém com vinte anos, porque simplesmente não são atitudes lógicas, aceitáveis para alguém que tem um futuro pela frente, se já me traçaram um caminho não é normal que eu desista de o seguir...
Dizem-me sempre que quando tiver uma profissão, que quando depender de mim mesma serei finalmente livre mas eu acho que cada vez me prendem mais. Terei sempre de corresponder ás expectativas que os outros criaram a meu respeito, porque são adultos e viveram uma vida que supostamente lhes da o direito de dizer saber o melhor para os futuros alheios.
Têm vidas de que eu fujo, são pessoas que não quero ser, e ainda assim acham-se sábias o suficiente para poder prever o meu futuro, eu que não sou um prolongamento das suas vidas mas uma vida autónoma e diferente.
Sinto falta de levantar os pés do chão e saltar, juro que sinto... Mas estou presa pelas ideias pré concebidas daqueles que julgam ser capazes de saber o melhor para mim.
Espero um dia acordar e dar-lhes razão a tudo o que dizem, reconhecer que afinal sempre souberam o que era o melhor para mim, porque temo o que poderá acontecer se um dia me aperceber que não estou a viver a minha vida mas a vida que os outros esperavam viver!!!
Se for como me querem, se medir todos os meus actos e poisar de vez os pés no chão, deixo de ser a pessoa que sou, e tal como eles deixo de dar valor aos pequenos momentos que vão surgindo no meu caminho... Porque eu ainda consigo dar valor a um sorriso, porque eu ainda consigo levantar-me de manhã e olhar pela janela sem sentir o peso do começo de um novo dia.
Porque eu já me arrependo de muitos dos meus actos, mas ainda assim continuo a reagir; porque eu mesmo que grite e que chore, não me esqueço daqueles de quem gosto e não lhes viro as costas mesmo sabendo que se o dia vier, em que precise, talvez mas virem a mim.
Por isso queria ter congelado o tempo para puder voltar aquela altura em que só via os problemas através da janela da casa de bonecas e em que todos eram perfeitos e em que eu era uma menina querida a que todos apertavam as bochechas.
Conversas repetidas porque me canso de pensar nisto e porque no fundo já sei o desfecho da historia.

1 comment:

Sofia said...

O teu blog é lindo...só tem fotos fofas e textos maravilhosos. adoro.te prima!!!

Deixei um desafio para ti no meu blog.

Beijinhos