February 6, 2008

Cordas de guitarras e fios de seda


São linhas ténues, quase imperceptíveis as que separam a realidade da ficção, como seres metafísicos que somos, dotados de uma imaginação fértil e produtiva, realidade é um valor longe de absoluto, nos dias que correm.
O que vejo á minha volta, depende da forma como percepciono o mundo, e a forma como interpreto o que vejo é só minha, se me apetecer acreditar que uma pedra é uma gota de água, ninguém me pode impedir de o fazer.
Infelizmente o ser Humano tem uma necessidade, necessária, mas exacerbada, de categorizar tudo, aprendeu que existem sempre coisas desconhecidas, mas nunca desiste de saber tudo, quando aparece algo novo, mais do que dar valor e usufruir do momento, o ser humano tem necessidade de lhe atribuir um nome e uma descrição; em vez de absorver a beleza dos momentos e das novas coisas, o ser humano tem necessidade de as espetar com agulhas e tem tentar saber numa fracção de segundo tudo destas.
Somos animais mecanicistas, tão preocupados em evoluir que nós esquecemos frequentemente que apenas vivemos uma vida, e que embora sejamos obrigados a crescer existem momentos em que podemos parar um pouco, deixar de racionalizar cada segundo, e apenas usufruir do momento.
Caminha-mos sobre finos fios de seda, e ainda assim o importante é apenas caminhar, é andar para a frente.
Tudo aquilo que rodeia cada um de nós, já tão descrito e tão visto que é preciso viver do uso constante da imaginação para que os dias não se tornem numa rotina constante, é preciso viver não numa realidade mas em várias que no fim se confinam num mundo próprio que cada um tem inerente a si.
A minha visão do mundo, eu que tenho tudo quase plantado na palma da mão, é de certeza absoluta, diferente do mundo de alguém que passa fome e frio, porque eu sei que existe mas nunca senti na pele, e como somos seres que tão presos ao aspecto físico precisamos ver para querer.
Vivemos num mundo próprio, onde representamos uma peça de teatro de guião aberto, em que deveríamos ser as personagens principais, no entanto, como vivemos numa sociedade guiada por padrões vazios e mecânicos, muitas vezes somos apenas espectadores da história a que devíamos dar vida, porque nos preocupamos tanto em evoluir passo a passo com os outros, que apressamos os momentos sem sequer os viver verdadeiramente.
Os caminhos que estamos destinados a seguir são como cordas de uma guitarra, cada toque gera um som diferente, se os percorremos com pressa no fim quando pararmos para ouvir a música que criamos, esquecemos a origem de metade das notas e a o porque de ter escolhi a outra metade, aquela melodia não nos diz nada.
Se escolhermos cuidadosamente cada nota, tocarmos da forma certa cada corda, no fim a melodia que resulta é mais que bela, mais que única.
Eu só sei que daqui a uns anos quando olhar para trás quero morrer de amores pela melodia que criei, e lembrar-me de cada nota que a compõem.

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