December 19, 2007

Conversas de gente forte...




















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Worries_of_the_world_by_rmadmin

Palavras sem contéudo, vozes roucas afastadas pelo vento, uma troca de piadas sem nexo, são assim a maioria das conversas...
Deixar que pelo dialogo saudável se dêem a conhecer fraquezas, se mostrem brechas nas muralhas e até deixar sair sentimentos envergonhados não se faz...
Somos tão fortes, tão deveras imponentes que mostrar fragilidade, é imperativamente proibido...
No rosto, um sorriso mascara tudo e até o olhar aprendemos a disfarçar; a postura corporal é ensinada desde jovem a esconder os defeitos para deixar que os corpos todos muito parecidos não sobressaiam no meio da multidão...
Os que sobressaem são olhados de lado, muitas vezes até vitimas de julgamentos menos justos pois diz-se por ai que o normal é querer-mos misturar-nos com a multidão, querer passar despercebido como uma pequena gotícula de chuva numa janela...
As nossas conversas acabam por ser assim, vãs, superficiais e não dizemos, não digo, o queria dizer...
Vezes sem conta, por entre os lábios saem palavras alegres quando no fundo se ouvem as lágrimas bater á sua chegada...
Por sermos ensinados a esconder as fraquezas num cofre e deitar fora a chave, só falamos do que não nos envergonha, rimos das vergonhas que por dentro nos fazem querer esconder num buraquinho sem fundo...
Somos todos soldados ao serviço das aparências... Mesmo aqueles que escolhem não se misturar na multidão são devotos a manter uma imagem, imagem essa que transparece aos outros...
Porque temos todos uma aparência pré-definida pela visão dos que nos rodeiam acabamos por estabelecer uma falsa fachada que mostra-mos ao mundo exterior e para não corromper essa fachada abdica-mos de conversas verdadeiras, de palavras muitas vezes honestas só para não mostrar que na verdade somos feitos de carne e osso que também se fere e sangra...
O meu caminho desregrado cruzou-se com vultos que escondem em si o quão fracos são e que na tentativa de transparecer força transparecem o quanto se sentem atormentados e débeis; no meu mapa traçaram várias linhas espíritos capazes de mostrar o seu lado mais vulnerável; poderia dizer que conheço ambas a extremidades deste singelo binómio...
Como vitimas das aparências, cultivamos as fachadas, pintamos os muros e enfeita-mos aquilo que os outros vêem... Alguém me disse á muito tempo que se cultivarmos o nosso jardim as borboletas virão de encontro a ele...
De que vale enfeitar o jardim e pintar as paredes da casa se no seu interior tudo está em ruínas?
Continuemos com as conversas soltas que pouco de nós dizem, continuemos a cultivar a aparência que tanto agrada aos outros, quando pensarem que nos conhecem e esperarem de nós uma força que não temos, seremos obrigados a deixar cair as mascaras e mostrar que na verdade em vez de soldados destemidos somos pequenos gatinhos a precisar que nos desçam da árvore...
Mantenham-se eternamente a nossas míticas conversas de gente forte e deixemos que esperem de nós o que não temos para dar...

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