November 17, 2007

Máscaras...

Imagem - Masks. 4 by ~ESafian

Faz um ano que escrevi este post e mais que nunca faz sentido por isso decidi reciclá-lo e publica-lo uma vez mais...


"Não é primeira vez que olho para o rosto de alguém que conheço desde sempre e tenho a sensação que estou perante uma pessoa nova, alguém que nunca tinha visto; pode ter a mesma face mas não é a mesma pessoa.
Perante cada situação, cada pessoa, cada espectativa, colocamos uma máscara que permite esconder sentimentos, emoções, medos e receios e protege cada recanto sombrio que tentamos esconder.
Se pudessemos mudar de rosto, se conseguisse-mos transfigurar o nosso exterior assim como conseguimos transfigurar o nosso interior mediante cada situação teriamos mil e uma faces...
A cada pessoa com quem nos cruzamos mostramos uma delas, mostramos uma mascara que se adapta consoante as espectativas que esperamos que tenham de nós, consoante o que estamos dispostos a dar a conhecer.
Se achar que a pessoa perante mim me vê como uma pessoa adorável é nisso em que me vou transformar; mesmo que por dentro seja consumida por raiva ou dor, por fora serei a mais agradável das pessoas... Se por outro lado sei que uma pessoa não espera qualquer tipo de atitude da minha parte, que ainda não me conhece, fico perplexa ao perceber como é complexo escolher qual faceta dar a conhecer... Se dou a conhecer o meu lado fragil e ferido e me assumo como verdadeiramente me sinto, sem qualquer mascara sem qualquer fingimento, ou se finjo ser forte numa tentativa patética de demonstrar um lado de mim que é puramente fachada, pura ilusão...
Todas as manhãs acordamos e assumimos uma identidade diferente, se o rosto muda-se, cada vez que temos de esconder o que sentimos e fingir ser o que não somos, o reflexo no espelho de todas as manhãs seria diferente, o espelho iria acabar gasto de tanto ver o reflexo que mostra transfigurar-se.
Quantas vezes estamos em ruínas por dentro e temos de arrancar um sorriso de algum recanto escondido em nós e fingir estar alegre, só porque não queremos mostrar a nossa fraqueza?
Quantas vezes fingimos levar na brincadeira algo que nos feriu profundamente?
Quantas vezes temos de mascarar tudo o que sentimos e pensamos, para esconder os nossos verdadeiros sentimentos, fingir gostar de alguem que na verdade não suportamos?
Tudo porque temos medo de mostrar o nosso eu verdadeiro, o nosso lado oculto que fomos ensinados a esconder...
Desde sempre a sociedade em que vivemos e a educação que nos é dada ensina esconder as falhas que temos, ensina-nos a cultivar a perfeição; conseguem esconder-se as falhas fisicas com maquilhagem, roupas, acessórios, até corrigi-las com cirurgias ; quando queremos esconder as falhas de caracter, de espirito, as fraquezas ,as vergonhas, colocamos uma mascara, forçamos um sorriso e abri-mos a porta prontos para enfrentar o mundo tendo em conta que temos que agir segundo a faceta que escolhemos naquele momento...
Perco a conta das vezes em que me olho ao espelho e sinto que não estou a ser eu mesma, mas o que o todos esperam que seja... E interrogo-me se mais alguém se sentirá assim?
Acabamos por perder a noção de quem somos e de quem nos rodeia, se colocamos tantas mascaras quem nos garante que os outros não façam o mesmo?
E quando é o momento certo para parar de nos esconder e mostrar o que somos verdadeiramente?
A quem nos podemos mostrar como somos?
E se deixarmos cair todas as mascaras, será que conseguimos sentir-nos nos mesmos? Ou será que elas fazem parte de quem somos?
Cada um de nós é um só ser que tem inumeras mascaras adaptadas a cada situação, ou somos o conjunto de muitos seres diferentes que se ligam num so corpo, num só rosto?
E as pessoas que dizem conhecer-nos bem? Conhecem o eu por de trâs de todas as mascaras? Ou conhecem cada um dos individuos colados ao corpo e rosto que veêm?"


Foi isto que escrevi faz quase um ano, e desde então vi muitas mascaras cair inclusivé a minha...
Conservo algumas das minhas mascaras porque é dificil não me esconder por detrás delas para viver as ditas realidades que me abordam, que me rodeiam...
Vi muitas outras máscaras cair, sucumbirem sob o peso de segredos desfeitos, de identidades reveladas e torna-se quase imperativo perguntar...
Como posso voltar a ver as máscaras e não os rostos encerrados por detrás delas? Gostava muito mais das máscaras que pintaram, que pintei, que vi, que fingia não ver...

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