Prometi a mim mesma que ia dedicar parte do meu tempo a decifrar o significado que dou a mítica imagem do espelho, retratada até nos contos infantis, e as borboletas que para mim simbolizam o mais belo da natureza...
O espelho...
Na história da Branca de Neve é o espelho que diz á rainha tudo o que ela queria ouvir... Achava-se tão bela e poderosa, ainda assim precisava de um espelho para lhe acalmar as chamas do ego...
Para mim o espelho mostra-me o que sou, revela aquilo que os outros vêem quando olham para mim, revela-me o que o meu rosto conta, o que os meus olhos mostram...
Não preciso que o espelho me diga palavras de conforto que preencham o meu ego, até porque no meu mundo os objectos ainda não falam, mas é em frente ao espelho que todos os dias acordo para o mundo e vejo, ainda que muitas vezes de forma distorcida, o que fui e o que sou, o que demonstro ser e o que escondo...
E o meu espelho é um só... Dizem que aprendemos a crescer como seres humanos ao usar outras pessoas como exemplos, ao fazer delas os nossos espelhos... Tenho espelhos espalhados pela minha vida, alias tive... Convenci-me que sou diferente e que nunca irei ser o reflexo exacto de nenhuma das pessoas que usei para crescer, mas fico radiante quando percebo que tenho o mesmo tom de pele, os mesmos olhos, o mesmo cabelo, até o mesmo sorriso...
Não sou, nem nunca quero ser um espelho para ninguém... Não quero que ninguém olhe para mim e me veja como um exemplo (estou certa que será dificil)... Ninguém deverá ver em mim o seu reflexo espelhado porque sou mais que um prolongamento das pessoas na minha vida...
Modelos são aqueles que tentam toda a vida aperfeiçoar-se, eu não posso ser um, porque não aspiro á perfeição, quero ser melhor, no entanto, não quero ser perfeita, não tento conspirar contra os devaneios do destino para tentar ser o que não sou, não finjo que me reinvento a cada mudança da lua... Mudo como as estações, mudo mas nunca com a finalidade de ser perfeita... Não fosse a perfeição chata e monótona...
As borboletas...
As borboletas são animais frageis, belos, majestosos, mas frageis... São animais simples, que começam por ser uma pequena lagartinha para depois se transformar num bichinho cheio de cores que rasga os céus...
Passam por metamorfoses para atingirem o seu ideal que na minha opinião passa por trocar a terra pelos ares, e os pes por asas...
Nos tambem nascemos como seres indefesos incapazes de desprender a terra por debaixo de nos e depois á medida que vamos saindo do nosso casulo aprendemos a sonhar e a levantar os pes do chão...
Para mim a borboleta simboliza a efemeridade da vida, o ciclo vital da natureza... A fragilidade do ser humano que muitas vezes não aprende a sonhar e a levantar os pés do chão.
Desde que a humanidade se tornou independente de morais e valores, que tenta por todos os meios dominar os elementos que a dominam para afirmar a sua supremacia face á natureza e a todos os outros seres...
O homem bem sonha mas nunca vai conseguir...
Aprendemos a domar o fogo, a terra, a agua... Fazemos do fogo um aliado, da terra um ventre que nos alimenta e da agua uma força motriz que nos mata a sede e suporta o avanço das tecnologias de que tanto nos orgulhamos...
Mas, o ar, sozinhos ainda não conseguimos doma-lo... Seres pequenos e tão frageis fazem o que nós nunca conseguiremos fazer... De pés passam a ter asas... E para além da imortalidade o ser humano quer poder não ter limites... Tanto no tempo como no espaço... O Homem anseia por poder, quer poder contralar tudo...
Não queremos estar presos aqui e agora, quantas vezes não desejamos por um par de asinhas que nos levem daqui para fora? Quantas?
E por esta explicação ainda que fantasiosa e rebuscada, infantil e pintada de cores pastel, deve perceber-se que odeio espelhos e borboletas quase tanto como os admiro...
O espelho mostra-me tudo... O quero e o que não quero ver, daí certos dias ter uma vontade enorme de me poder ver ao espelho de olhos fechados... È como que a imagem que atribuo á minha consciência...
As borboletas deixam-me maravilhada com a sua beleza e assustada com o medo de um dia deixar de sonhar e ficar retida no meu casulo, medo que me cortem as asas... A borboleta é a imagem que muitas vezes atribuo ás minhas metas...
Citando e traduzindo algumas ideias da minha musica favorita, elas (borboletas) fazem-me pensar se alguém algum dia estará a minha espera quando voltar com o meu coração cheio de cicatrizes nas mãos, porque os meus sonhos são tão grandes que eventualmente virei a cair... Se alguem algum dia não se vai importar com o que fiz mas com o estar comigo...Porque vou cometer erros, que quase de certeza vão ferir aqueles que amo...
As imagens do post anterior deviam ter uma ordem...A lagarta que é primeira das fases e depois a borboleta presa que se fere ao libertar-se mas... Pensei... E se me ao ser magoada e que me deixo prender... E se fui magoada e presa e depois só quero voltar a ser uma lagartinha com os pes na terra?
PS: Eu sei que os meus post quase parecem testamentos de milionários excêntricos que deixam os seus bens espalhados pelo mundo e pelas nações, mas cada post é um peso que tiro de cima, um desabafo que ninguém tem de ouvir, um lamúrio que ninguém sente e por vezes até lágrimas que ninguém vê... Só lê quem quer ou, quem realmente está á espera de decifrar alguma coisa nas minhas palavras... Boa sorte para essa tarefa! :P...

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