Já não actualizava o blog a algum tempo porque não conseguia encontrar um tema que me de desse vontade de falar.Decidi quebrar esta ausência com uma tema que me parece muito importante : o Aborto.
Desde já digo que nada do que vou escrever se prende como uma forma de influenciar opiniões ou mudar atitudes perante este tema, é apenas uma minha forma de ver este assunto e uma forma de eu própria conseguir defenir a minha opinião em relação a este tema.
Penso que votar e mais que um direito do ser humano é um dever, se queremos ver a nossa sociedade retrograda mudar, devemos expressar as nossa opiniões e fazer com que atraves do nosso voto se possa mudar o que está errado.
Este referendo, dia 11, irá servir para decidir se as mulheres que fazem interrupções voluntárias da gravidez devem ser penalizadas com pena de prisão pelo seu acto.
Todos nós temos direitos inerentes a nossa identidade enquanto seres humanos únicos e individuais, sendo que um desses direitos e o direito a escolha.
Se uma mulher sente que não pode ser mãe, que não podera dar a um filho uma vida digna não deverá poder optar por não ter esse filho e não colocar mais um ser no mundo que vai viver em sofrimento?
Se uma mulher não tem condições financeiras ou amor dentro de si para criar uma criança deverá ser obrigada pela sociedade a manter a sua gravidez?
Será preferível manter uma gravidez e ter um filho, sem depois lhe poder dar o amor e conforto que precisa; se não houver possibilidade de lhe proporcionar os cuidados de saude que precisa; è humano deixar uma criança vir ao mundo para sofrer?
A mesma sociedade que condena estas mulheres, esquece que hoje em dia criar um filho não depende só de amor e carinho mas também de condições monetárias que muitas mulheres não possuem, o acesso aos serviços de saúde e aos medicamentos é pago. Como é que uma mulher que não tem dinheiro para se alimentar vai proporcionar ao seu filho alimento e as condições de saude que este necessita para crescer saudavel e poder ser alguem na vida?
Todas estas questões mostram que não podemos julgar assim tão facilmente estas mulheres, as pessoas dizem tão facilmente que elas merecem estar presas e sofrer pelo fizeram mas nem sequer pensam no sofrimento de uma mulher, por mais cruel que esta possa ser, ao fazer uma escolha como esta.
Nenhuma mulher interrompe voluntariamente uma gravidez sem que sofrer e de animo leve, muitas destas mulheres vão sofrer toda a vida pela escolha que fizeram e perguntar-se constantemente qual seria a sua vida se não tivesse tomado aquela decisão, será que uma vida de arrependimento não é suficiente, e precisa de ser reforçada com três anos de prisão em que a mulher é privada de tudo?
Eu sou contra o aborto, acho desumano acabar com uma vida, pois as nossas mãos não têm esse poder, no entanto não julgo as mulheres que decidem interromper a gravidez são elas as únicas que sabem o que é melhor para si e para o seu filho; se sentem que não têm condições para educar e criar uma criança quem sou eu para lhes dizer que têm?
A mesma sociedade que se apressa a condenar estas mulheres, fica chocada quando houve no jornal que uma mãe deixou o filho recem nascido no caixote do lixo; que uma mãe espancou o filho até á morte, mas não faz nada para evitar estas situações pelo contrario ajuda a que continuem.
Muitas pessoas pensam que a despenalização do aborto vai fazer com que este possa ser visto como um metodo contracpetivo, mas nenhuma mulher encara este procedimento como um metodo contracpetivo pois todas as mulheres sabem que não têm o direito de acabar com a vida de um ser humano e quando o fazem é porque não têm outra escolha.
Ao tornar o aborto um crime não vai diminuir-se o número de interrupções voluntárias da gravidez, porque quem toma esta atitude consegue encontrar formas ilegais de a realizar, o que vai resiultar disto?
Mulheres vão continuar a morrer por fazerem abortos em condições sem qualquer segurança do ponto de vista da saúde e em vez de se perder uma vida perdem-se duas, fazendo com que uma lei não salve uma vida mas tire duas.
Se a despenalização ganhar a mulher vai poder recorrer a centros hospitalares para realizar este procedimento e lá pode ser sujeita a exames a consultas com psicologos e psiquiatras que poderão auxilia-la e tentar demove-la das suas intenções apresentando outras soluções passiveis de resolver o seu dilema.
Agora se esta lei continuar em vigor, as mulheres não vão deixar de abortar, mas vão faze-lo em segredo e não havera ninguem a tentar trava-las e a procurar com elas uma outra resposta para o seu problema.
Sou contra o aborto e acho sinceramente, que terminar uma gravidez pelas 10 semanas e uma acto cruel e macabro no entanto acho mais macabro ainda maes que abandonam os seus filhos nas ruas, nos caixotes do lixo ou vaos de escada á espera que alguem os recolha.
Hoje em dia caridade e amor ao proximo parecem ser qualidades em desuso, poucos são aqueles que aceitam mudar as suas vidas para acolher uma criança que não é sua e aqueles que querem enfrentam processos de adopção demorados e trabalhosos que muitas vezes resultam na penalização da criança, que sofre e se torna revoltada por nao poder ter um pai e uma mãe como tem direito.
No entanto tudo isto vai contra a declaração dos direitos humanos no que se diz respeito á criança, cada ser humano tem direito á vida...
Mas podemos chamar vida ao que muitas destas crianças passam?
Sofrer maus tratos quer fisicos quer psicologicos, passar fome, passar todo o tempo a ouvir que acabaram com a vida dos pais, não sentir amor sentir-se indesejado... Isto é viver?
Só tenho mais uma coisa a acrescentar cada um tem direito ao seu voto e quem vota não ou sim não está errado mas nós não temos o direito de jmulgar os outros quando não sabemos o que eles sentem, manifesta-mos a nossa opinião mas não podemos condenar quem sente de maneira diferente.
Por isso dia onze á que votar não só com a cabeça mas tambem com o coração.
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